Traduzido de Love, Purification, and Forgiveness versus Justice, Punishment, and Satisfaction: The Debates on Purgatory and the Forgiveness of Sins at the Council of Ferrara – Florence, do Padre Demetrios Bathrellos
Apesar de suas diferenças, [...], latinos e gregos concordavam em dois pontos fundamentais. Primeiro, que existe um estado intermediário de almas que estão, por assim dizer, entre o Céu e o Inferno. Segundo, que as orações, as liturgias e os sufrágios em geral da Igreja contribuem para a salvação delas.
Contudo, é claro que gregos e latinos discordavam sobre o porquê e o como essas almas são purificadas e levadas à salvação. Os latinos apresentaram um princípio metafísico que enfatizava a justiça divina, a qual exige a punição de pecadores que já haviam sido perdoados, para fins de satisfação [da justiça de Deus]. É digno de nota que, um ano depois, por volta do fim do Concílio, ao apresentar um resumo da visão latina sobre o purgatório, o Papa Eugênio IV irá relacioná-lo apenas às almas de cristãos que se arrependeram e confessaram seus pecados, mas não realizaram obras de satisfação (‘opera satisfactionis’) – sem mencionar absolutamente nada sobre a purificação de pecados veniais, ou seja, sem se referir à purificação no que diz respeito à culpa ou labes [mácula]. Os latinos entendiam a purgação principalmente como um processo punitivo por meio de um fogo material, ao fim do qual a justiça divina é satisfeita e a alma é, finalmente, autorizada a entrar no Paraíso. Nesse contexto, os sufrágios dos cristãos devem ser compreendidos como ofertas vicárias de satisfação, que assim reduzem o tempo que as almas dos falecidos terão de passar no purgatório. A altamente controversa doutrina latina das indulgências se encaixa muito bem dentro deste sistema teológico.
Os gregos abordaram a questão de um ângulo diferente. [...] Eles entendiam os sofrimentos das almas não como punições divinas, mas sim como consequências do pecado infligidas por si mesmas. Acreditavam que, por meio de suas experiências dolorosas na vida após a morte, as almas são purificadas e perdoadas pelo amor divino, com o auxílio das orações e, em geral, dos sufrágios da Igreja. Como argumentou Ombres em referência ao discurso final de Marcos [de Éfeso], "devemos notar esse estresse caracteristicamente ortodoxo na purificação que envolve o autoconhecimento e a iluminação, em vez de completar a satisfação". Em consonância com Marcos, Georges Scholarios usará repetidamente neste contexto a palavra característica φάρμακον (remédio, medicina). A Confissão de Dositeu acrescentará mais tarde que a purificação na vida após a morte é concedida pelo próprio Deus, que é o único fogo purgatorial possível. Kallistos Ware resumiu a visão grega desta forma:
Se nossas ofensas são perdoadas livre e plenamente, por que ainda devemos sofrer punição por elas? Alguém que morre em estado de arrependimento genuíno, mas que em outros aspectos está mal preparado para ficar face a face com Deus, pode perfeitamente necessitar passar por uma purificação após sua morte, e essa purificação pode lhe causar sofrimento; mas não faz sentido dizer que ele está sofrendo punição pelos pecados que Deus, em sua misericórdia, já perdoou.
Que os gregos pensem segundo essas linhas também fica claro pela maneira como Marcos compreende o significado do termo grego ἐπιτίμια (epitimia). O objetivo delas não é satisfazer a justiça ofendida de Deus, mas contribuir para a cura e purificação da alma das manchas do pecado. O que Gill descreveu como propósitos "ascéticos" das ἐπιτίμια gregas pode ser melhor compreendido como medicinais e terapêuticos. É por isso que, para Marcos, o perdão é concedido não antes, mas simultaneamente às ἐπιτίμια. O perdão de Deus é um ato de cura que deve ser respondido por meio da sinergia humana em atos de arrependimento. Na vida após a morte, onde esses atos não podem mais ser realizados, a sinergia da alma é passiva — o medo no momento da morte, a tristeza, a vergonha e o remorso da consciência, e a incerteza quanto ao futuro. A parte humana ativa é agora desempenhada pela Igreja Militante, os fiéis vivos. Tudo isso é feito na esperança de que o Deus misericordioso concederá mais uma vez o seu perdão, que retirará a mancha e a dor do pecado, e concederá a salvação. Isso contrasta com a compreensão latina prevalecente da purgação, que é legalista em vez de terapêutica: consiste principalmente em cumprir a sentença devida.
Ao comentar sobre a visão latina, Jugie argumentou que uma alma no purgatório é como um prisioneiro. Ela é enviada para cumprir um determinado período de tempo nele e, após isso, é quase automaticamente libertada e transferida para o Paraíso. Mas, de acordo com Marcos, continua Jugie, embora haja uma purificação das almas graças às suas dores na vida após a morte, a libertação vem apenas de Deus, de fora, ab extrinseco. A observação de Jugie é correta. Para os latinos, a punição vem de Deus, enquanto a libertação vem por si mesma. Para os gregos, a punição vem por si mesma, sendo uma consequência do pecado, enquanto o perdão e a libertação da punição vêm apenas de Deus. As duas abordagens são claramente diferentes. A ênfase latina está na justiça e na punição de Deus. A ênfase grega está no amor e no perdão de Deus.
O exame dos textos latinos e gregos sobre o purgatório no Concílio de Ferrara-Florença levou-me à conclusão de que as seguintes observações de John Meyendorff não estão longe da realidade:
O debate [sobre o purgatório] entre gregos e latinos, no qual Marcos foi o principal porta-voz grego, mostrou uma diferença radical de perspectiva. Enquanto os latinos davam como certa sua abordagem legalista da justiça divina — a qual, segundo eles, exige uma retribuição para cada ato pecaminoso — os gregos interpretavam o pecado menos em termos de atos cometidos do que em termos de uma doença moral e espiritual que deveria ser curada pela paciência e pelo amor divinos. [...] O legalismo, que aplicava ao destino humano individual a doutrina anselmiana da "satisfação", é a ratio theologica da doutrina latina sobre o purgatório. Para Marcos de Éfeso, no entanto, a salvação é comunhão e "deificação".
[...]
Os gregos, [...], já à beira de um desastre político e militar e sob considerável pressão, acabaram por subscrever as visões latinas, em parte porque esperavam (equivocadamente, como logo perceberiam) que poderiam garantir a tão desejada ajuda militar ocidental. Marcos, provavelmente o melhor teólogo do Concílio, foi ao final abandonado até mesmo por seu próprio Imperador e colegas bispos. Suas percepções sobre o purgatório permaneceram em grande parte ignoradas. A teologia latina sobre o purgatório encontrou seu caminho no Decreto do Concílio para os Gregos, que foi assinado por todos — incluindo Bessarion — exceto por Marcos.
Mas isso provaria ser uma vitória pírrica para os latinos; não apenas porque o Concílio seria rejeitado no Oriente, mas também por causa do que se seguiria menos de um século depois no próprio Ocidente. A Reforma Protestante começaria com o protesto de Lutero contra as práticas e crenças latinas relacionadas ao purgatório e sua teologia. Assim, as visões latinas sobre o purgatório que os gregos contestaram no Concílio unionista de Ferrara-Florença estão por trás do surgimento do protestantismo e da subsequente, e provavelmente irreversível, destruição da unidade do cristianismo ocidental. Nas palavras de Le Goff, "graças ao Purgatório, a Igreja desenvolveu o sistema de indulgências, uma fonte de grande poder e lucro, até que ele se tornou uma arma perigosa que acabou sendo voltada contra a própria Igreja". Mesmo Gill teve que admitir que "o Concílio de Florença tornou a Reforma inevitável".
Hoje, quase seis séculos após os debates que tentamos esboçar, muitos teólogos católicos romanos, incluindo o Papa Emérito Bento XVI, compreendem o purgatório em termos frequentemente mais semelhantes aos de Marcos e dos gregos do que aos de seus predecessores latinos. A mútua ênfase contemporânea, tanto "grega" quanto "latina", na transformação curativa das almas no estado intermediário e no perdão amoroso de Deus — em vez de sua justiça punitiva — é um farol de esperança para um caminho comum e melhor a seguir.
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