Mostrando postagens com marcador Ícones. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ícones. Mostrar todas as postagens

O segundo mandamento (Catecismo de S. Filareto)


Sobre o segundo mandamento. Por São Filareto de Moscou.

516. O que é uma imagem de escultura, conforme mencionada no segundo mandamento?

O próprio mandamento explica que uma imagem esculpida, ou ídolo, é a semelhança de alguma criatura no céu, ou na terra, ou nas águas, às quais os homens se curvam e servem em vez de Deus, seu Criador.

517. O que é proibido, então, pelo segundo mandamento?

Estamos proibidos de nos curvarmos diante de imagens ou ídolos esculpidos, como para supostas divindades, ou como semelhanças de falsos deuses.

518. Somos por este meio proibidos de ter quaisquer representações sagradas?

De jeito nenhum. Isso aparece claramente quando o mesmo Moisés, por meio de quem Deus deu o mandamento contra as imagens esculpidas, recebeu ao mesmo tempo de Deus a ordem de colocar no tabernáculo, ou templo móvel dos israelitas, representações sagradas de querubins em ouro, e colocá-los, também, na parte interna do templo para a qual o povo se dirigia para adorar a Deus.

519. Por que este exemplo é digno de nota para a Igreja Cristã Ortodoxa?

Porque ilustra seu uso de ícones sagrados.

520. O que é um ícone?

A palavra é grega e significa uma imagem ou representação. Na Igreja Ortodoxa, este nome designa representações sagradas de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus encarnado, sua Mãe imaculada e seus santos.

521. O uso de ícones sagrados está de acordo com o segundo mandamento?

Seria então, e somente então, em desacordo, se alguém fizesse deles deuses; mas não é de maneira alguma contrário a este mandamento honrar os ícones como representações sagradas e usá-los para a lembrança religiosa das obras de Deus e de seus santos; pois, quando assim usados, os ícones são livros, escritos com as formas de pessoas e coisas em vez de letras. (Ver Greg. Magn. Lib. Ix. Ep. 9, ad Seren. Episc.)

522. Que disposição de espírito devemos ter quando reverenciamos os ícones?

Enquanto olhamos para eles com os nossos olhos, devemos olhar mentalmente para Deus e para os santos que estão representados neles.

523. Que nome geral há para pecado contra o segundo mandamento?

Idolatria.

524. Não há também outros pecados contra este mandamento?

Além da idolatria grosseira, há ainda outro tipo mais sutil, ao qual pertencem:

1. Cobiça;

2. Servir ao ventre ou sensualidade, gula e embriaguez;

3. Orgulho, ao qual pertence também a vaidade.

525. Por que a cobiça se refere à idolatria?

O apóstolo Paulo diz expressamente que a cobiça é idolatria (Colossenses iii. 5); porque o avarento serve às riquezas em vez de servir a Deus.

526. Se o segundo mandamento proíbe o amor ao ganho, que deveres contrários ele necessariamente prescreve?

Aqueles de contentamento e liberalidade.

527. Por que o serviço do ventre é referido como idolatria?

Porque os serventes do ventre colocam a gratificação sensual acima de tudo, e portanto o apóstolo Paulo diz que seu deus é o ventre; ou, em outras palavras, que a barriga é seu ídolo (Phil. iii. 19).

528. Se o segundo mandamento proíbe o serviço do ventre, que deveres contrários ele prescreve?

Aqueles de temperança e jejum.

529. Por que orgulho e vaidade se referem à idolatria?

Porque o orgulhoso valoriza acima de tudo as suas próprias aptidões e excelências, e por isso são o seu ídolo; o homem vaidoso deseja ainda que outros também adorem o mesmo ídolo. Essas disposições orgulhosas e vãs foram exemplificadas até mesmo sensivelmente em Nabucodonosor, rei da Babilônia, que primeiro estabeleceu para si um ídolo de ouro e depois ordenou que todos o adorassem (Dan. iii).

530. Não existe ainda outro vício que está próximo da idolatria?

Esse vício é hipocrisia; quando um homem usa os atos externos da religião, como o jejum, e a estrita observância das cerimônias, a fim de obter o respeito do povo, sem pensar na correção interna de seu coração (Matt. vi. 5, 6, 7).

531. Se o segundo mandamento proíbe o orgulho, a vaidade e a hipocrisia, que deveres contrários ele prescreve?

Aqueles da humildade e do fazer o bem em segredo.

Heresia Visual - Um evangélico sobre a iconografia de Deus Pai

Jonathan Pageau


O logotipo da “Religião do Monstro Espaguete Voador”. Mostra que o ateísmo é o resultado final de se acreditar que Deus é um “ser” arbitrário que “existe” ou não “existe” dentro da esfera do conhecimento.

Meu padre recentemente me enviou um link para uma palestra (postada abaixo) dada por Matthew J. Milliner, professor assistente de história da arte no Wheaton College, o que foi bastante surpreendente para mim. A palestra aborda dois assuntos com bastante habilidade, dois assuntos que os pensadores ortodoxos têm abordado há algum tempo. Em primeiro lugar, ele aborda o que está sendo chamado de “narrativa declinista” (ao que parece por alguns estudiosos evangélicos contemporâneos). Ele expõe a noção de que uma mudança teológica importante ocorreu na Escolástica Medieval (Occam, Duns Scotus) que fechou as possibilidades analógicas e anagógicas clássicas da linguagem e do próprio cosmos. Esta mudança seria a semente do mundo moderno, da dessacralização, do ateísmo, do totalitarismo, etc. O Sr. Milliner refere-se ao problema da “univocidade” de Deus apresentado por Duns Scotus, na qual as qualidades atribuídas a Deus são vistas como não sendo análogas à divindade incognoscível, mas sim “unívocas” à própria natureza de Deus. Portanto, de acordo com Duns Scotus, quando dizemos que Deus é bom, sua bondade é igual à nossa, embora sendo muito maior do que a nossa. Desta forma, Deus é visto como uma “coisa” que realmente possui muitas qualidades excelentes. Ele explica e mostra como a metafísica tradicional é bastante analógica na abordagem, que aponta para a semelhança e a distância entre Deus e a criação simultaneamente. Ele oferece esta citação maravilhosa de Areopagita:
Deus está totalmente afastado de cada condição, movimento, vida, imaginação, conjectura, nome, discurso, pensamento, concepção, ser, descanso, habitação, unidade, limite, infinito, a totalidade da existência... porém, para louvar sua divina Providência benéfica, você deve recorrer a toda a Criação.
Isso é o que os ortodoxos passaram a chamar de abordagem “apofática” e “catafática” de Deus, ambas resumidas no próprio movimento da analogia.

Agora, como se um evangélico citando um trecho de “Dos Nomes Divinos” não fosse surpreendente o suficiente, ele segue para seu segundo ponto. Ele continua sugerindo que esse problema, essa crise, se você quiser, pode ser vista mais claramente através do aparecimento de representações de Deus Pai nas artes visuais nesta mesma época. O Sr. Milliner conecta esses dois desenvolvimentos, ou seja, a mudança teológica dentro da Escolástica, de um lado, e a mudança artística, do outro, de uma forma maravilhosa e atraente. A noção central é que uma imagem de Deus Pai, ao representá-lo na esfera do conhecimento, reduz a Divindade não encarnada e não criada a "um velho barbudo na nuvem", talvez um velho barbudo invisível na nuvem, mas não obstante, um “ser” em quem, em última análise, se pode acreditar ou não. Pontos semelhantes foram discutidos por vários pensadores ortodoxos, como Leonid Ouspensky e nosso próprio pe. Steven Bigham (ambos mencionados pelo Sr. Milliner). Ele passa a mostrar como os esforços tanto da Igreja Católica quanto da Ortodoxia falharam em remover essa imagem, apesar de saberem (especialmente os ortodoxos) de seu perigo. Sugere-se que a raiz da iconoclastia protestante eram esses tipos de representações de Deus. Ele até comenta, com ironia, que se as senhoras da banda "punk" P-Riot realmente quisessem algo para protestar quando encenaram sua pequena liturgia punk, elas deveriam ter olhado para a imagem de Deus Pai na cúpula da Catedral de Cristo Salvador.

Imagem Deus Pai na Catedral de Cristo Salvador.

Curiosamente, o terceiro ponto que ele faz é que o protestantismo pode ter soluções para isso, mesmo os evangélicos. Ele então desenvolve uma teoria surpreendente na qual ele considera o desenvolvimento da pintura de paisagem na Europa protestante como uma retomada ou continuação do tipo de analogia que se perdeu no final da Idade Média. Estas obras, especialmente a dos românticos, seriam uma forma de representar a majestade de Deus Pai “na sua ausência, como imagem das suas consequências”. Basicamente, ele sugere que a pintura de paisagem, em vez de ser o prenúncio do secularismo como costuma ser vista, é antes uma preservação da visão de mundo cristã tradicional.

Paisagem de Ruisdael descrita na palestra como mostrando a glória de Deus na criação.

Acho que podemos concordar totalmente com ele que a pintura de paisagem é de fato uma personificação particularmente vívida da ontologia protestante e talvez até da sua espiritualidade. Mas está de acordo com a visão de mundo analógica medieval? É aqui que acho que devemos divergir do Sr. Milliner. Na verdade, falta um aspecto na apresentação do Sr. Milliner. Ele enfatiza como a univocidade destrói a analogia, mas há uma segunda face para essa destruição da visão de mundo tradicional. A analogia é um duplo movimento, um mostrar e um afastar, uma relação que mostra ao mesmo tempo transcendência absoluta e imanência absoluta. O Sr. Milliner está, portanto, perdendo aquele outro perigo, o perigo de apresentar Deus como tão completamente transcendente a ponto de separá-lo do mundo criado, tornando-o ausente dele. É a própria imagem que o Sr. Milliner usa de Deus como sendo representado “em sua ausência, como a imagem de suas consequências”. Nessa visão de mundo, não temos analogia, mas sim a semente do deísmo. Os dois aspectos do escolasticismo medieval tardio, ou seja, a univocidade de um lado, e o nominalismo ou occamismo básico do outro, são apenas duas faces da mesma moeda. Eles são a ruptura do duplo movimento da analogia, a radicalização de acreditar que Deus é apenas outro ser (embora poderoso), ou acreditar que ele é tão absolutamente transcendente a ponto de finalmente estar totalmente ausente, presente apenas "na imagem de suas consequências”. Essa radicalização, essa incapacidade de analogia está tanto nas imagens de Deus Pai quanto no surgimento das representações puramente visuais, anedóticas ou altamente emocionais do cosmos, das quais a paisagem é apenas uma das manifestações entre muitas dentro da “narrativa declinista”. Ambos os opostos no desmembramento analógico, mesmo a transcendência radical de Deus que à primeira vista pode parecer superior, no final reduzem Deus a algum tipo de necessidade. A radical transcendência de Deus, que se encontra tão fortemente em Guilherme de Occam, acaba por fazer de Deus um “ser exterior” não menos arbitrário.

A única possibilidade de recuperar o mundo analógico da Idade Média dentro da arte cristã é por meio da pessoa de Jesus Cristo, que é a imagem expressa do Pai. O Sr. Milliner afirma, de passagem, que Cristo é a imagem do Pai. Ele cita São João de Damasco dizendo: “Não represento a divindade invisível... mas eu represento Deus tornado visível na carne”, mas ele deixa de aprofundar isso. Na verdade, ele falha em fazer de Jesus Cristo o centro de seu discurso. Perder isso é perder tudo. Existem algumas imagens da ausência divina na tradição cristã, sendo a “hetoimasia” [Trono vazio] a mais comum, mas a Igreja fez verdadeiramente da imagem de Cristo a imagem central de toda a arte cristã, ato consagrado pelo 7º concílio ecumênico. Na verdade, toda a teia da analogia cósmica é mantida unida pela encarnação: o humano e o divino completamente unidos enquanto permanecem completamente separados e sem mistura. Todo o cosmos aponta para Cristo, que é a cabeça, “de quem todo o corpo convenientemente unido e compactado por aquilo que cada junta fornece, de acordo com a operação eficaz na medida de cada parte, aumenta o corpo para a edificação de si mesma no amor”. Que melhor descrição existe do mundo analógico do que esta passagem de São Paulo? Com isso entenderemos porque a “paisagem”, ou mais especificamente a representação da folhagem e dos animais, não foi abandonada na Idade Média, mas sim colocada em formas periféricas, como ornamento, hierarquicamente dispostos na “medida de suas partes”. O centro, a verdadeira e única imagem de Deus é o Homem renovado, o novo Adão, o próprio Jesus Cristo.

Acima e além da representação de Deus Pai, que é herética, a perspectiva analógica permanece no cerne da vida ortodoxa, teologia, eclesiologia, espiritualidade e arte. O sucesso de São Gregório Palamas e a proclamação da distinção Essência / Energia sobre a teologia escolástica difundida da época, garante que o núcleo ainda está lá, apesar das devastações reais e inegáveis ​​do modernismo. Por outro lado, se os protestantes seguirem essa linha de pensamento, essa narrativa declinista, isso inevitavelmente mostrará como a própria radicalização dos opostos que descrevi, o próprio rompimento da analogia, é o que deu origem a todos os conflitos da Reforma: a oposição da predestinação ao livre arbítrio, a radicalização da fé vs. obras, a oposição da espiritualidade “interior” contra a forma exterior, a evacuação progressiva de toda a realidade sacramental. Na verdade, quando se toma esse caminho, é impossível não notar que a própria trama do protestantismo é tecida com nominalismo e univocidade.

Apesar da minha última objeção, meu coração está sorrindo, pois esta visão do mundo é a chave. Se quisermos desenvolver o que o Sr. Milliner lindamente chama de "um ecumenismo metafísico", se ortodoxos, católicos e protestantes podem verdadeiramente recapturar a metafísica da Igreja primitiva, e então seguir a própria analogia, seguir o próprio movimento de manifestação do interior para o exterior, não estaremos longe da comunhão verdadeira e efetiva. E, portanto, vale muito a pena dedicar-nos a esta palestra, que mostra inéditos pontos de contato entre ortodoxos e evangélicos, pontos que seria benéfico para todos nós perseguirmos.

A palestra pode ser vista aqui: https://youtu.be/JdaBe0dFsTI

Ícones: perguntas e respostas

 Adaptado de The Icon FAQ do Pe. John Whiteford.



1. O que é um ícone?

Um ícone é uma imagem (usualmente bidimensional) de Cristo, dos santos, anjos, eventos bíblicos importantes, parábolas, ou eventos na história da Igreja.

São Gregório (Papa de Roma, 590-604) falou dos ícones como Escritura para os iletrados:
Aquilo que a escrita apresenta aos leitores, isto também a pintura apresenta ao iletrado que contempla, uma vez que nela mesmo os ignorantes podem ver aquilo que devem seguir; nela os iletrados leem (Epístola aos Bispo Sereno de Marselha).
Àqueles que sugerem que isso não é mais relevante em nossa época, digo que devem considerar o quanto ainda há analfabetismo funcional em nosso tempo, e o fato de que mesmo nas sociedades mais letradas existe um segmento iletrado... suas crianças pequenas.

Além disso, os ícones também elevam nossas mentes das coisas terrenas para as celestiais. São João de Damasco escreveu: "somos levados pelos ícones perceptíveis à contemplação do divino e espiritual". Mantendo a memória dos santos por meio dos ícones, somos também inspirados a imitar a santidade daqueles ali representados. São Gregório de Nissa (330-395) escreveu sobre como não podia passar "sem lágrimas" por um ícone de Abraão oferecendo Isaque. Comentando sobre essa passagem, foi notado no Sétimo Concílio Ecumênico: "Se a um tal Doutor a figura foi um auxílio e levou às lágrimas, quanto mais não será no caso dos ignorantes e simples para levar à contrição e ser benéfica".

2. Cristãos oram para os ícones?

Cristãos oram em presença dos ícones (assim como os israelitas oravam em presença dos ícones no Templo), mas não oramos para os ícones.

3. Ícones realizam milagres?

Para colocar a pergunta no contexto, consideremos algumas questões: a Arca da Aliança fazia milagres (cf. Josué 3:15, 1 Samuel 4-6, 2 Samuel 11-12)? a Serpente de Bronze curava aqueles atacados por serpentes (Números 21:9)? os ossos do profeta Eliseu ressuscitaram um homem (2 Reis 13:21)? a sombra de São Pedro curou os doentes (Atos 5:15)? os lenços e aventais que tocaram o corpo de São Paulo curavam os doentes e expulsavam demônios (Atos 19:12)?

A resposta, em todos os casos, é sim, em certo sentido. Entretanto, para ser preciso, foi Deus quem escolheu realizar milagres através dessas coisas. No caso da Arca e da Serpente de Bronze, temos imagens sendo usadas para realizar milagres. Deus realizou um milagre por meio das relíquias de Eliseu, pelas sombras de um santo, e pelas coisas que tinham meramente tocado um santo. Por quê? Porque Deus honra aqueles que o honram (1 Samuel 2:30), e assim agrada-se de operar milagres por meio de seus santos, mesmo por esses canais indiretos. O fato de Deus ter santificado coisas materiais não deveria surpreender aqueles familiarizados com a Escritura. Rejeitar essa verdade é cair no gnosticismo.

Portanto, sim, em certo sentido, ícones podem fazer milagres - mas, para sermos precisos, é sempre Deus quem opera milagres por meio dos ícones, pois ele honra aqueles que o honraram.

4. Cristãos adoram os ícones? Qual a diferença real entre adorar e venerar?


Cristãos não adoram os ícones, isto é, não dão às imagens a honra própria de Deus somente. Mas os cristãos veneram ou honram os ícones, o que significa dizer que tratam-nos com respeito porque são objetos sagrados, e porque reverenciamos aquilo que os ícones representam. Não adoramos os ícones mais do que os brasileiros adoram a Bandeira Nacional. Saudar a Bandeira Nacional (como fazem os militares) não é exatamente o mesmo tipo de veneração que tributamos aos ícones, mas é um tipo de veneração. Assim como não veneramos madeira e tinta, mas as pessoas representadas nos ícones, também os patriotas não veneram o tecido e tinta, mas sim o País representado na bandeira.

A diferença entre adoração e veneração (ou honra, reverência) aparece também na Sagrada Escritura. Um judeu piedoso beija a mezuzá em sua porta, bem como a Torá antes de lê-la. Sem dúvida, Cristo também procedeu assim, quando leu as Escrituras nas sinagogas.

Até mesmo o ato de prostrar-se perante algo ou alguém não significa, necessariamente, adoração devida somente a Deus. Vemos nas Escrituras várias ocasiões em que o ato de prostração referia-se a uma reverência lícita perante uma figura santa (um profeta, por exemplo), ou a símbolos civis ou religiosos:
Perante reis: 
Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se, e desceu do jumento, e prostrou-se sobre o seu rosto diante de Davi, e se inclinou à terra. E lançou-se a seus pés. 1 Samuel 25:23-24 
E o fizeram saber ao rei, dizendo: Eis aí está o profeta Natã. E entrou à presença do rei, e prostrou-se diante dele com o rosto em terra. 1 Reis 1:23 
Perante profetas ou homens santos: 
Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam defronte em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. E vieram-lhe ao encontro, e se prostraram diante dele em terra. 2 Reis 2:15 
E, pedindo luz, saltou dentro e, todo trêmulo, se prostrou ante Paulo e Silas. E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? Atos 16:29-30 
Perante objetos sagrados: 
Então Josué rasgou as suas vestes, e se prostrou em terra sobre o seu rosto perante a arca do Senhor até à tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram pó sobre as suas cabeças. Josué 7:6
Perante Deus e o rei: 
Então disse Davi a toda a congregação: Agora louvai ao Senhor vosso Deus. Então toda a congregação louvou ao Senhor Deus de seus pais, e inclinaram-se, e prostraram-se perante o Senhor, e o rei. 1 Crônicas 29:20
Neste último exemplo, um mesmo ato (prostrar-se) tem dois significados simultaneamente: os hebreus prostraram-se perante Deus para adorá-lo, e perante o rei para reverenciá-lo. Quando a Bíblia relata a prostração perante um ser humano como idolatria, sempre acrescenta a expressão: "para adorá-lo" (cf. Atos 10:25; Apocalipse 22:8).

Se nem mesmo o ato de prostrar implica idolatria, com ainda mais razão o simples ato de beijar um ícone não poderá ser considerado adoração do mesmo. Trata-se de um ato de reverência por aqueles ali representados.

5. O Segundo Mandamento não proíbe o uso de ícones?

No Segundo Mandamento, Deus diz:
Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás. Êxodo 20:4-5
O termo "imagem de escultura" significa, não imagens em geral, mas aquelas usadas para um culto falso ou com representações de falsos deuses. Do contrário, as imagens usadas no próprio culto do Antigo Testamento seriam uma violação desse mandamento. Por isso, na tradução grega (Septuaginta), o termo hebraico pesel foi traduzido simplesmente como eidoloi, isto é, ídolo.

Com efeito, encontramos muitos ícones na Escritura:
Na Arca da Aliança: Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. Êxodo 25:18 
Nas cortinas do Tabernáculo: E o tabernáculo farás de dez cortinas de linho fino torcido, e azul, púrpura, e carmesim; com querubins as farás de obra esmerada. Êxodo 26:1 
No véu do santuário: Depois farás um véu de azul, e púrpura, e carmesim, e de linho fino torcido; com querubins de obra prima se fará. Êxodo 26:31 
Nas paredes do Templo: E todas as paredes da casa, em redor, lavrou de esculturas e entalhes de querubins, e de palmas, e de flores abertas, por dentro e por fora. 1 Reis 6:29 
Nas portas: Também as duas portas eram de madeira de oliveira; e lavrou nelas entalhes de querubins, e de palmas, e de flores abertas, os quais revestiu de ouro; também estendeu ouro sobre os querubins e sobre as palmas. 1 Reis 6:32
Ou seja, havia ícones em todo canto. Eles eram diretamente ordenados ou autorizados por Deus.

Ícones em catacumba romana. Século III.

Anunciação do Arcanjo Gabriel à Virgem Maria.

Iconóstase.

Ícone de N. S. Jesus Cristo.