Objeção judaica: Jonas e o sacrifício de Cristo

 


Objeção: O Livro de Jonas derruba todos os seus argumentos sobre sacrifício e expiação, especialmente com relação aos gentios. Quando Jonas pregou, o povo se arrependeu e Deus os perdoou — sem sacrifício, sem oferta de sangue.

Resposta:

Você sabia que o judaísmo tradicional, baseado na Torá, ensina que os sacrifícios do Templo faziam expiação pelo mundo gentio? Isso fazia parte da vocação de Israel como nação sacerdotal, e eram as ofertas do Templo de Israel que ajudavam a tornar o arrependimento gentio aceitável a Deus.

Quando Deus tirou o nosso povo do Egito, disse-lhes: "Vocês mesmos viram o que fiz ao Egito, e como os carreguei sobre asas de águia e os trouxe para mim. Agora, se vocês me obedecerem plenamente e guardarem a minha aliança, então, de todas as nações, vocês serão o meu tesouro especial. Embora toda a terra seja minha, vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa" (Êx. 19:4–6).

Israel foi chamado a ser uma nação sacerdotal, e parte dessa vocação incluía fazer intercessão e expiação pelas nações do mundo. (Lembre-se: isso era parte integral da vocação sacerdotal; portanto, como nação sacerdotal, Israel faria intercessão e expiação pelo mundo.) Segundo esse conceito, quando uma nação gentílica se arrependia e se voltava para Deus, seu arrependimento seria aceito em conjunto com os sacrifícios e orações oferecidos pelo povo de Israel. Por isso o profeta Jonas chamou os ninivitas a se arrependerem de seus pecados. Oferecer sacrifícios era tarefa de Israel como nação sacerdotal.

"Quem diz isso?", você pergunta.

Na verdade, os rabinos talmúdicos dizem isso. Em b. Sucá 55b (ver também Pesikta deRav Kahana, edição Buber, 193b–194a), lemos que os setenta touros oferecidos todo ano durante a Festa dos Tabernáculos (Sucot; ver Nm 29:12–34) "eram pelas setenta nações", o que Rashi explica significar "para fazer expiação por elas, para que a chuva caia por todo o mundo."²⁵⁹ Neste contexto — e à luz da destruição do Templo pelos romanos em 70 d.C. —, o Talmude registra as palavras do rabino Yohannan: "Ai das nações que destruíram sem saber o que estavam destruindo. Pois quando o Templo estava de pé, o altar fazia expiação por elas. Mas agora, quem fará expiação por elas?" Tal afirmação forte merece ser repetida: "Quando o Templo estava de pé, o altar fazia expiação por elas." Os sacrifícios de sangue eram indispensáveis.

Reconheço que Deus pode ter misericórdia de quem quiser ter misericórdia e compaixão de quem quiser ter compaixão (ver Êx. 33:19), mas ele ordenou a oração, os ritos de expiação, o arrependimento e a fé como os meios pelos quais seu povo participa com ele na obtenção do perdão e da misericórdia. Assim, ele escolheu um povo específico, a nação de Israel, e os chamou a conduzir os serviços do Templo, celebrando as festas sagradas e oferecendo sacrifícios pelos próprios pecados e pelos pecados do mundo. Em última análise, esses sacrifícios apontavam para o sacrifício único e definitivo de Yeshua [Jesus] pelos pecados do mundo.²⁶⁰

A conclusão é esta: Todos nós pecamos, judeus e gentios igualmente, e todos nós precisamos de um meio de entrar em paz com Deus. Veremos na próxima objeção que foi o Messias quem abriu a porta para que todos os povos entrassem na presença de Deus, derramando seu sangue em nosso favor, cumprindo completamente o que o sistema sacrificial só podia apontar em parte.

Fonte: Answering Jewish Objections, vol. 2, Michael Brown.


²⁵⁹ Segundo a tradição judaica antiga, baseada na chamada Tábua das Nações em Gênesis 10, havia um total de setenta nações no mundo. Os sacrifícios eram oferecidos durante sete dias, começando com treze no primeiro dia, depois doze, onze, etc., até os últimos sete no sétimo dia. No oitavo e último dia de Sucot, um único sacrifício era oferecido. Segundo George Foote Moore, essas oferendas eram feitas "em nome das setenta nações pagãs; a do oitavo dia pelo único povo de Israel. Quando os pagãos destruíram o Templo, destruíram a expiação que era feita por eles."

²⁶⁰ Por meio desse sacrifício, ao mesmo tempo, Deus pôde ser justo (realizando a punição na morte do Messias por aqueles pecados) e justificador dos que creem em Yeshua; ver Romanos 3:19–31. Deus, em sua justiça, exigiu pagamento pelos pecados, mas, em sua misericórdia, enviou o Messias para fazer esse pagamento — com a própria vida! — em nosso favor. Assim, por meio de Yeshua, Deus é ao mesmo tempo justo e misericordioso.

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